Percepções de Portugal

Olá pessoal, tudo bem?

Bairro Alfama em Lisboa
Bairro Alfama em Lisboa

Estive recentemente em Portugal com o objetivo de entender o mercado de organização, bem como fazer conexões com profissionais da área. Escrevo aqui minhas percepções sobre o que vi e vivi neste lindo país.

Mas antes quero deixar claro que o que escrevo aqui são as minhas impressões pessoais, isso não é uma verdade absoluta, pois cada um vivencia uma situação, seja positiva ou negativa, portanto é válido que você filtre o que acha interessante para você.

Considerando minha experiência como profissional do mercado de organização, cheguei em  Lisboa sozinha e lá encontrei com Márcia Trovo, minha parceira de profissão que está desenvolvendo um trabalho de apoio às profissionais de Portugal para direcionar e potencializar o trabalho de cada uma em organizar e descomplicar a vida das pessoas.

Cheguei e senti que os portugueses de um modo geral são muito receptivos, acolhedores e educados, e estão abertos a ouvir o que temos a dizer, mas são restritos quanto às ideias que fogem do seu controle, principalmente quando essas ideias vem de um brasileiro que está competindo no mercado de trabalho português.

Percebi também que os brasileiros são malvistos pelos portugueses por impor um ritmo de trabalho diferente que fere os princípios dos nativos. Na visão dos portugueses o ideal é nos aliar a eles e ajudá-los a potencializar o mercado, mostrando novas e diferentes possibilidades sem criar um “ambiente competitivo”. Acredito sim, que eles precisam de tudo o que temos a oferecer, pois o mercado de organização no Brasil está mais avançado, mas devemos nos atentar à cultura portuguesa e respeitar o que é praticado por lá, sem ofender e criticar.

Como no Brasil, a profissão de Personal Organizer, também não é regulamentada, o que dificulta para as portuguesas em impor regras e condutas necessárias para o exercício da profissão por lá. Não acho que essa postura, de algumas brasileiras, seja proposital. Na verdade, elas chegam por lá cheias de ideias e com muito gás, na ansiedade em fazer um trabalho diferenciado e ganhar destaque no mercado que também está em crescimento, mas isso gera uma resistência e uma separação entre profissionais brasileiras x portuguesas, o que na minha visão pode gerar conflito no mercado no futuro.

O caminho é oferecer nossa experiência, criar conexões e trocar conhecimento. Fazer parcerias empáticas e capacitar o mercado português com o nosso diferencial para quebrar a resistência e não construir um muro que nos separa.

Também tive a oportunidade de conversar com diversas brasileiras que trabalham em Lisboa como Personal Organizer e em outras atividades e a visão delas é completamente contrária. A maioria delas, principalmente as que estão há menos de 2 anos se sentem excluídas, pois ao mesmo tempo que precisam da nossa mão de obra, por ser um país que está em crescente envelhecimento e muitos jovens buscam as oportunidades em outros países europeus, o povo português não se socializa com brasileiros para um convívio amigável, simplesmente ignoram a existência dos brasileiros que lá vivem, o que gera um conflito social. É perceptível em diversos locais públicos perceber a roda dos brasileiros e a roda dos europeus. Uma situação bem complicada e triste.

Mas, mudando de assunto e considerando minha visão como turista, Portugal é um país deslumbrante, com belas e espetaculares paisagens, uma arquitetura antiga que preserva a história do país, com um povo muito acolhedor com o turista, muito diferente do tratamento acima exposto, preocupado em mostrar o que tem de melhor a oferecer.

Na questão gastronômica a viagem é uma experiência de sabores, com uma diversidade de pescados e mariscos frescos e com uma carne de porco fantasticamente macia, que derrete na boca, e olha que nem sou tão fã deste tipo de proteína. Os vinhos nacionais também são de excelente qualidade, mas para mim, o que mais marcou foram os doces, os queijos e os pães: um esplendor.

Um prato típico da região do Alentejo
Um prato típico da região do Alentejo

Além de Lisboa, tive o prazer de conhecer as belas paisagens e palácios de Sintra e uma cidade histórica chamada Évora, no coração da região do Alentejo. Uma cidade de uma riqueza cultural incrível, cercada por muralhas, com suas faixadas preservadas e onde eu encontrei o melhor restaurante português que já fui na vida a “Taberna Típica de Quarta Feira”, localizada no centro histórico da cidade.

Uma deliciosa aventura portuguesa que recomendo a todos de olhos fechados.

Se tiver a oportunidade de conhecer Portugal, vá sem medo. Eu certamente voltarei.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

backtotop